A irresistível atracção pelos números das pessoas que não gostam de pessoas

Aventar

Michelangelo Buonarrote_O tormento de S Antão  1489

As pessoas que não gostam de pessoas outrora adoravam o deserto, compraziam-se com  outros animais, eremitavam e alguns tinham a Deus e rezavam-lhe; hoje preferem os números, ajoelham-se no Excel e, gente dada à prestidigitação, divertem-se na acrobacia de uma tabela com mortal encarpado à retaguarda de um gráfico. Tenho por eles uma sedução próxima da que Herberto Helder manifestou pelos poliglotas tradutores de poesia, incapazes do parir de um verso mas infatigáveis no afã de o traduzir.

Se ando saudoso deles é certo e sabido que vou ao ermitério do costume, o Blasfémias, visitar o Vítor Cunha a quem aguarda nas hagiografias uma página próxima de um S. Antão. E que vejo desta vez? um quadro publicado pelo Paulo Guinote com dados sobre alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). E que visão teve e atormenta S. Cunha? a de que misteriosamente estes se reduzem entre o básico e o secundário…

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A Cultura Geral morreu. Vivam os Cursos Técnicos Superiores profissionais de curta duração

ao Leme

Numa entrevista de emprego:

– A menina tem formação em que área?
– Em nada de especial mas em tudo no geral.
– Pode especificar?
– É difícil especificar mais do que isto, sabe. Tive um ano com uma componente geral muito forte e no segundo ano bastou-me aparecer na sala de aula para me encaminharem para este estágio na sua empresa”.

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Ainda na semana passada, os Politécnicos anunciaram que não estavam disponíveis para lecionar os cursos técnicos superiores profissionais. Hoje já podem e vão fazê-lo!

Ora, com os Cursos à Bolonhesa, a coisa já ficou pobre. Cursos de três anos não chegavam para adquirir as competências e conhecimentos inerentes a cada área. Passou a ser obrigatório juntar um Mestrado à Licenciatura (não é bem obrigatório, mas é). Tanto zum-zum em torno das Licenciaturas de três anos e a coisa acalmou com a dica da promoção damobilidade e empregabilidade…

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Portugal: analogia de um crime

ao Leme

No final de Janeiro assaltaram-me a casa. Foi evento de estreia.
Como não há muito a fazer acabo por digerir a coisa fazendo um exercício de analogia entre o sucedido e o cenário em Portugal.

Os sinais eram evidentes. Assaltos a casas em redor durante semanas. Apesar de tudo nunca coloquei em causa também eu ser um alvo possível. Até porque tenho três cães de guarda. Tinha algum dinheiro em casa que estava na primeira gaveta da cómoda do quarto sem qualquer tipo de camuflagem.

Os ladrões aproveitaram um dia de intempérie, com muita turbulência e chuva torrencial, para executarem o roubo. Dominaram os cães à pedrada e com spray atordoante. Tentaram arrombar a porta até que rapidamente detectaram uma janela com trinco avariado, entraram, foram directos ao quarto, encontraram o dinheiro e sairam sem mais demora. Um trabalho limpo e rápido sem grandes desarrumos.

Ao chegar a casa tinha…

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Sempre a banca, ainda o BPN

Aventar

buckminster fuller

Vai este buraco alguma vez ter fim? Tudo o que se refira a BPN queima – mas os contribuintes apenas. Ainda Vitor Constâncio era – e foi durante muito tempo – governador do Banco de Portugal e já os sinais lá estavam. Deu-se a precipitadísima nacionalização, seguiu-se a duvidosa gestão pública, culminou na vergonhosa privatização e teima este buraco em não nos largar. Tudo no BPN cheira a podre.

Os nomes dos envolvidos aparecem volta e meia na comunicação social, alguns até chegam a altos cargos governativos mas a impunidade é absoluta. O assalto ao bolso dos que pagam, sem nada mais poderem fazer do que gemer, é constante. Decididamente, a máfia instalou-se no poder. Não se pode confiar no Estado, ou mais correctamente, naqueles que dominam o Estado, o que para o caso vai dar no mesmo.

Só há um caminho, a revolta dos contribuintes.

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