Um ano de transportes públicos, Grátis!

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Gosto muito de publicidade, especialmente da televisiva. Toca-me a profundidade da mensagem, mas aquilo que verdadeiramente me emociona são as cores. Gosto dos tons com que os publicitários pintam os seus quadros. Contemplá-los é simplesmente sublime.

Os tempos são difíceis, e até a arte publicitária se vê privada de meios. São hoje raras as aguarelas ou óleos. Sim, a serigrafia é a receita. Sejam séries grandes ou pequenas, é arte para todos. Belo e democrático.

Até as pequenas empresas chinesas que entre nós empreendem se renderam a esta arte, barata, mas que nos aguça a sensibilidade e enternece o ego. É mesmo muito bonito! De tudo isto, é bom exemplo o mais recente anuncio desse grande mecenas que é a EDP, qual casa de Sabóia dos nossos dias. Só lhe faltam os tons de azul no logótipo.

Muito para além da generosa oferta de 1 Ano de Energia Grátis

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Quem o alheio veste

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Foi por encomenda do armador alemão Hamburg-Amerika line (HAPAG) que nos últimos dias do século XIX a sua quilha foi assente nos estaleiros da William Gray & Company Ltd em West Hartlepool, Inglaterra. Lançado no primeiro ano do século XX, 1901, o navio foi baptizado “Numantia”, numa premonitória homenagem à lendária cidade de Numancia, na antiga província Romana, Hispânia. Com 122 metros fora a fora, 16 metros de boca, quase 4500 toneladas de arqueação bruta e aproximadamente 8000 toneladas de arqueação líquida (Sistema Moorsom), o novo cargueiro a vapor, então moderno e eficiente, serviu a nação germânica até Agosto de 1914. A primeira grande guerra ditou o bloqueio naval Britânico a todos os portos Germânicos. Impossibilitado de regressar à Alemanha, o navio rumou ao porto de Mormugão, colónia ultramarina de Goa, Índia, onde lhe foi concedido refúgio ao abrigo da neutralidade que a jovem República…

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Inato Repúdio

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Imperio Romano e Imperio CartaginêsAs Guerras Púnicas foram travadas entre as cidades de Roma e de Cartago. A primeira, de 264 a 241ac, começou pela disputa da cidade e estreito sicilianos de Messina, confronto ao qual se seguiu a maior batalha naval da antiguidade, Ecnomus em 256ac. Os posteriores avanços e reveses ditados por tempestades obrigaram o Imperio Romano a construir grandes frotas, navios com os quais a cidade destronou Cartago como a maior potência naval do mediterrâneo. Após os combates no norte de África, o conflito regressa à Sicilia, pelo que o medo precipitou o senado a nomear o primeiro dictador Romano, Aulo Atílio Calatino. O desfecho da batalha das Ilhas Aegates ditou a vitória Romana.

A primeira Guerra Púnica teve custos elevadíssimos para as cidades beligerantes, arrasando ambas as economias. Os termos do armistício visaram a rápida recuperação económica de Roma, pelo que foram especialmente penalizadoras para Cartago. As indemnizações pagas a…

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PPP Lusitânia

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cunard_logo_2950No início da Século XX, a famosa Cunard Line perdia a hegemonia comercial na rota transatlântica. Para além das companhias Alemãs, a entrada do magnata JP Morgan  no negócio, motivou a fusão de vários concorrentes de menor dimensão, criando um gigante no sector. Sem meios financeiros, a privada Cunard estava impossibilitada de responder à altura das circunstâncias. É neste contexto que em 1904, o governo britânico decide apoiar a Cunard. Em época de preparação para aquela que viria a ser a primeira guerra mundial, o governo de sua majestade viu com bons olhos a possibilidade de no futuro requisitar novos e rápidos transatlânticos. Nascera uma Parceria Público Privada (PPP). Materializou-se no desenvolvimento e construção de novos navios, o primeiro dos quais foi providencialmente baptizado em memória da antiga província Romana, a Lusitânia.

O desenvolvimento e construção do RMS Lusitânia fizeram justiça à memória e tradição do nome de baptismo. Foram…

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Bacalhaus e Submarinos

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Nascido “Elite”, ao bacalhau dedicado, dos Lusos foi o primeiro no arrasto. Decorria o ano de 1909. A Europa vivia dias de “Paz Armada”, um eufemismo para a corrida às armas. Não entrámos. Fomos à pesca por arrasto.

Em 1914, morto o arquiduque Francisco Ferdinando, precipitou-se a Guerra, das grandes a primeira. Entramos desta feita. Como nunca fomos piegas, não lamentámos a falta de preparação para a beligerância: do arrastão de pesca, fizemos um navio de patrulha oceânica. Para tal bastou à Armada requisitar a sofisticada embarcação ao seu dono, a Parceria Geral de Pescarias Lda. Engenho quanto baste, está feito: Canhão à popa, outro à ré. Óptimo. Não mexe.

Rebaptizado “NRP Augusto de Castilho”, assumiu as suas funções de patrulha em alto mar. Até ao derradeiro ano das hostilidades, 1918, o arrastão convertido em navio de guerra deu uso às suas armas. Atacou submarinos…

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A aventura da Escócia

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Na década de noventa do século passado, era eu miúdo, fui à Escócia. Deambulei pelo campo entre cidades. Não fui piegas. Em vez da praia no Algarve, procurei trabalho na apanha da fruta. Empreendedor, parti à descoberta de oportunidades. Não fui sozinho. Ao meu lado, dois irmãos que a vida me deu a escolher, i.e., amigos daqueles cuja empatia, cumplicidade e afecto se mantém até aos dias de hoje. Um longe nos fiordes, o outro perto, connosco a bordo da nau Portugal. Um abraço aos dois!

Falava-vos da Escócia rural, de aventuras que vivi e que nunca esqueci. Por lá apreciam a audácia, talvez por isso nos tenham acolhido com curiosidade e consideração. Recém-chegados a Blairgowrie, fomos desafiados a tentar um salto (supostamente muito perigoso) sobre as águas do rio Ericht. Fomos. Chegados ao local, o lendário Donald Cargill’s Leap, saltámos. Pareceu-me banal, mas no regresso percebi que todos os escoceses que saltaram depois de nós o tinham feito pela primeira vez. Até esse dia, o salto…

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Regresso às Aulas

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Hoje foi a abertura oficial do ano lectivo. E como neste último ano algumas coisas me têm levado a pensar e a questionar o nosso sistema de ensino, decidi escrever sobre ele hoje. A crise do país, este sentimento de inevitabilidade, esta sensação de impotência, esta sensação de ser levado na corrente e depois esta vontade do não querer saber, do não querer ouvir mais, este esgotamento de uma situação que parece não ser ultrapassada… Que futuro existe para um país onde os jovens não encontram futuro? Às vezes ponho-me a pensar o que, dadas as circunstâncias, a crise no ensino e as duras batalhas dos professores, terão eles a dizerem aos alunos? Que futuro mostrarão os professores aos seus alunos? Que futuro verá um professor nos alunos se tiver em casa um filho licenciado que não consegue encontrar trabalho? Ou se tiver o conjugue desempregado? Que esperança transmitirá um professor…

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